Dicas . Evitando o câncer do intestino grosso (cólon e reto)

Prof. Dr. João Luiz M. C. Azevedo

Livre-Docente em Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo
Houve uma época em que o câncer era uma doença totalmente incurável. Isso foi antes da cirurgia moderna, que só teve início com o advento da anestesia, há 200 anos. Antes, qualquer tumor maligno crescia sem parar até matar o doente. Não se podia retirá-lo do corpo e não havia drogas contra ele.  Atualmente, muitos cânceres são extirpados completamente por cirurgia e outros são curados com a utilização isolada de medicamentos, sem a necessidade de operação. Foram os remédios que recuperaram os presidentes Dilma e Lula.

Apesar do avanço da parte da Medicina que cuida dos tumores, ainda hoje milhões de pessoas morrem anualmente no mundo inteiro vítimas do câncer. Isso porque ele é uma doença terrivelmente traiçoeira, que muitas vezes só se manifesta quando está tão arraigada no organismo que é impossível extirpá-la. Por isso a atenção dos médicos está focada em prevenir a sua ocorrência e em detectar a sua presença logo no início, quando a cura é quase certa.

No caso dos cânceres do intestino grosso, evitar o aparecimento do tumor é quase sempre possível. Para isso é necessário retirar de pele interna dos cólons (chama-se mucosa) uns carocinhos que crescem feito verrugas, e que no início são sempre  benignos, isto é: não são cânceres. Chamam-se pólipos e são removidos com simplicidade e sem dor por ocasião de exame interno do cólon (colonoscopia). O colonoscopista já vê e já retira esses pólipos, no ato. Isso garante a prevenção, pois todo câncer de cólon têm sua origem nesses pólipos, que nascem benignos e depois podem sofrer processo de transformação maligna.

Agora, atenção: a grande maioria desses pólipos só se manifesta quando já virou câncer. Os pólipos passam anos quietinhos no interior do cólon antes da transformação. A melhor forma de vê-los e retirá-los é durante uma colonoscopia de rotina, isto é, feita em pessoas que não sentem nada. Como o exame é dispendioso, incômodo e apresenta certo risco (muito baixo) de complicações, não tem como ir-se fazendo colonoscopia em todo mundo. É por isso que existem regras muito claras para se fazer colonoscopias em busca de pólipos. Se a pessoa apresenta alguma coisa que faça o médico suspeitar de pólipo ou câncer (mudança da hora em que está acostumada ir no banheiro, sangramento pelo ânus, achado de sangue oculto nas fezes etc.) deve-se fazer de imediato a colonoscopia nela e ponto final. Nos que não sentem nada, o exame está indicado anualmente a partir dos 40 anos nos que tiveram casos de câncer de cólon na família, e a cada três anos a partir dos 50 anos  nas pessoas que não tiveram parentes com esse câncer.

Em se tratando de câncer do intestino grosso, assim como para todos os cânceres, mais que nunca vale a regra de ouro de que é melhor prevenir que remediar.