Artigos . Dr. Pedro Pan, psiquiatra da Gran Clinic, concede entrevista à Revista Circuito

Psiquiatria Granja Viana

Reportagem: Revista Circuito - Edição 182

Canabidiol deixa de ser proibido pela Anvisa e passa a integrar a lista de medicamentos de uso terapêutico controlado

Dia 14 de janeiro foi considerada uma data histórica para a medicina. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou, após aprovação por unanimidade pela diretoria colegiada em Brasília, o uso terapêutico do CDB – ou canabidiol – no Brasil. Isso quer dizer que a substância derivada daCannabis sativa deixará de integrar a lista de compostos proibidos e ocupará a categoria C1, de uso terapêutico permitido, porém controlado.

Apesar de os estudos já serem antigos, as pesquisas e discussões sobre o canabidiol ganharam notoriedade em 2013, quando a rede americana CNN mostrou uma reportagem sobre a história da menina Charlotte Figi, portadora da síndrome de Dravet − epilepsia mioclônica severa da infância –, responsável pelas 300 convulsões graves, por semana, que ela sofria.

Aos cinco anos, ela não andava, não falava nem comia. Vendo a garota vegetar nessas condições, sua família optou por fazer o tratamento com um extrato rico em canabidiol e, aos seis anos de vida, Charlotte voltou a andar e a falar, além de as sessões convulsivas terem se reduzido para duas ou três ao mês. A partir desta história, muitas outras vieram à tona, inclusive no Brasil. Em 2014, pacientes que sofriam de espasmos ou epilepsia conseguiram, na Justiça, o direito de importar o produto em caráter excepcional.

Um caso bastante conhecido é o de Anny Fischer, de seis anos. A menina não tinha reações, não chorava, não sorria, dormia mal e tinha crises de epilepsia graves e sem cura, causadas pela rara síndrome CDKL5. Em novembro de 2013, ela tomou sua primeira dose de canabidiol, importado ilegalmente pela família. Hoje, Anny é outra criança; brinca na piscina, sorri e não fica mais dopada, porque algumas medicações foram retiradas do seu tratamento. Esta história de superação e cura inspirou o filme Ilegal — A Vida Não Espera. A obra, dirigida por Tarso Araújo, ganhou as salas de cinema de todo o país

Para a Anvisa, este é o primeiro passo para que pesquisas mais amplas sejam executadas e que outros medicamentos possam ser desenvolvidos no país com o canabidiol, que é um dos 480 compostos da maconha.

Pacientes com doenças neurológicas, como epilepsia e esclerose múltipla, cujo diagnóstico médico aponte a necessidade de consumir medicamentos com o princípio CBD, podem comprar por meio de importação, embora com regras facilitadas e sem necessidade de autorização especial.

Qualquer médico, obedecendo às regras de medicamentos de uso controlado, pode fazer um pedido especial à Anvisa para que autorize a importação do remédio para um caso específico.

A expectativa é de que passem a ser vendidos no Brasil em até nove meses, tempo para que a Anvisa considere e aprove a comercialização.

O psiquiatra Pedro Pan, da Gran Clinic, acredita no efeito do canabidiol sobre as doenças, já que não apresentou efeitos colaterais significativos nos estudos em que foi testado em seres humanos.

“Diversas pesquisas estão avaliando os efeitos do CBD em doenças como esquizofrenia, transtornos de ansiedade, mal de Parkinson, distúrbios do sono e alguns tipos específicos de epilepsia, com resultados iniciais bastante promissores, porém, ainda serão necessários estudos para confirmar a eficácia clínica de seu uso e outras questões, como dose e duração dos tratamentos”, explica o psiquiatra.

“O CDB representa uma nova possibilidade terapêutica para doenças que trazem muito sofrimento para as pessoas”, finaliza.

Reportagem Revista Circuito

 

Canabidiol: É uma substância química encontrada na maconha que, segundo estudos científicos, tem utilidade médica para tratar diversas doenças. Diferentemente do outro princípio ativo da maconha, o THC, o CBD não tem efeito entorpecente.


 Fonte: Revista Circuito: Edição 182