Artigos . Mastalgia, o que fazer?

Mastalgia é uma queixa freqüente das pacientes que procuram o mastologista. A dor mamária causa uma enorme preocupação e ansiedade na paciente, principalmente pelo medo ser câncer de mama.
A classificação da dor mamaria leva em conta a regularidade da dor: cíclica, acíclica e existe também a causa de dor extra mamária.

Dor Cíclica

A dor cíclica acontece mensalmente, esta relacionada com o período menstrual. A dor acíclica é irregular, não tem relação com o ciclo menstrual, e a dor extra mamária, a causa não esta na mama, mas a dor é referida na mama.

Dor Acíclica

A dor mamária cíclica recebe o nome de alteração funcional benigna das mamas, causada por estimulo hormonal e pode ser agravada pelo uso de metilxantinas (chás, café, coca cola). Geralmente a paciente sente queixa de nodulações na mama (pela proliferação glandular) e no ultrassom podem ser vistos pequenos cistos (bolsas de água).
A dor acíclica pode ser causada por mamas grandes e ptoticas, pois são pesadas e distendem a inervação local, uso de cafeína ou presença de um processo infeccioso na mama (mastite).

Dor Extra Mamária

Dor extra mamária: pode ser por dor nas cartilagens entre as costelas, dor muscular (exercícios físicos como musculação e/ou natação ou prática de atividades que demandam força), cirurgias torácicas prévias podem ter alterado a inervação local.
A entrevista clinica é super importante para o diagnóstico correto, deve se questionar quanto tempo a paciente sente a dor, em qual o local, se existem sinais de infecção ou inflamação, se teve trauma torácico ou se realizou cirurgias prévias, qual a prática de atividade física e se o trabalho exige esforço ou levantamento de peso, uso de reposição hormonal ou pílulas.
O exame físico também deve ser detalhado, a avaliação inclui inspeção estática e dinâmica das mamas, palpação das mamas, axilas e fossas supra claviculares em busca de nodulações ou linfonodos alterados, avaliar saída de secreção pelas papilas. Pode ser necessária a solicitação de exames complementares como mamografia e ultrassom das mamas.

Depois da avaliação completa da paciente é possível estabelecer o diagnóstico correto. Importante explicar que câncer de mama não tem correlação com dor mamária, para tranqüilizar a paciente. Também deve se fazer uma orientação quanto ao sutiã para uma melhor sustentação da mama e diminuição da dor por melhorar o retorno venoso e diminuir os estímulos nervosos.
Se a causa da dor devido à variação hormonal perimenstrual pode se utilizar medicações para diminuir esta variação. Se a dor for por uma causa extra mamária, a mesma deve ser diagnosticada e tratada, seja com analgésicos, fisioterapia, antiinflamatórios e no caso de infecção o uso de antibióticos.
Sempre que a paciente perceber uma alteração mamária a mesma deve procurar o profissional especialista para ser atendida e avaliada corretamente e tratada da melhor forma.


Escrito por:
Dra Gabriela Boufelli de Freitas – CRMSP: 134.895
Dra Laura Penteado – CRMSP: 140.006