Artigos . Enxergar para perto sem óculos: uma realidade bem próxima

Dr. Francisco Seixas Soares

Médico formado pela UNIFESP / Escola Paulista de Medicina
Médico Gran Clinic

 

Dificuldade para assinar cheque?

Enxergar os números no telefone celular?

Ler revista e jornal?

Enxergar a tela do computador?

Se maquiar?

 

A visão de perto piora por volta dos 40 anos de idade devido à chamada presbiopia, popularmente conhecida como vista cansada. Tal fenômeno ocorre por perda da elasticidade do cristalino e enfraquecimento do músculo ciliar, acarretando perda da capacidade de foco aos objetos mais próximos, a acomodação.

 

Como mecanismo de compensação começamos a esticar os braços colocando os objetos mais distantes, até um determinado momento em que não conseguimos mais foco.

Alguns fatores parecem colaborar para o aparecimento precoce da presbiopia. Na Europa, devido ao clima temperado esse distúrbio aparece por volta dos 45 anos, enquanto nos países sul-americanos de clima tropical, a incidência ocorre na faixa dos 40 anos, possivelmente devido à ação da radiação solar sobre a elasticidade do cristalino. Nos pacientes hipermétropes o aparecimento da presbiopia é mais precoce em ralação aos pacientes míopes.

 

NOVOS TRATAMENTOS DISPONÍVEIS

 

Apesar de ser uma condição natural e que atinge a todos, o que muitos não sabem é que já existem opções para atenuar o problema, que vão de lentes mais precisas até cirurgias para corrigir a dificuldade de visão para perto adquirida com a idade.
O tratamento convencional é feito com óculos para perto. A “adição” é gradativamente maior, em média, dos 40 aos 60 anos. Podem ser monofocais, ou seja, somente para perto ou multifocais. Lentes com a tecnologia 3D oferecem acuidade visual com melhor qualidade e maior facilidade de adaptação.

 

Associando o conceito de tratamento ao de qualidade de vida, enxergar bem de perto sem óculos é a tendência da Oftalmologia Mundial.

 

O conceito de Monovisão, amplamente difundida nos Estados Unidos e países da Europa, consiste em o olho dominante enxergar bem para longe e o olho não dominante para perto. O paciente submetido à monovisão deve ser capaz de enxergar bem em todas as distâncias. Isto é conseguido pelo princípio da supressão interocular, ou seja, a imagem vinda do olho que não está em foco é suprimida no córtex cerebral.

 

Esse conceito pode ser usado nas prescrições de lentes para óculos, lente de contato e no implante da lente intra-ocular no tratamento da catarata.

 

A adaptação de lentes de contato modernas e confortáveis para correção da visão para longe e perto já é realidade Brasileira. Cerca de 90% dos pacientes se adaptam à esta nova forma de enxergar e ganham liberdade visual para longe e perto, ou seja, não precisam de óculos para perto nas situações cotidianas como ver os números no aparelho celular, preencher cheque, ler revistas ou jornais, se maquiar.

 

Outra alternativa é a correção através do laser, a cirurgia refrativa. Atualmente a técnica de correção é personalizada para cada paciente, tornando o resultado final muito mais preciso e seguro. O laser é programado para corrigir totalmente o grau do olho dominante para focalizar longe e parcialmente o olho não dominante, como resultado obtém-se melhor visão para perto. A pequena diferença de grau entre os olhos é, em geral, rapidamente compensada pela adaptação cerebral.

 

Nos pacientes portadores de catarata, a técnica mundial mais atual é a utilização de lentes multifocais intra-oculares.  Catarata é definida como opacidade da lente transparente e natural, cristalino. O tratamento é a substituição desta lente opaca por outra artificial e transparente. O uso destas novas lentes multifocais proporciona recuperação da visão e liberdade visual tanto para longe quanto para perto.

 

Francisco Seixas Soares

Médico formado pela UNIFESP / Escola Paulista de Medicina

Doutorado em cirurgia de catarata pela UNIFESP / Escola Paulista de Medicina

Título Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia / AMB

Médico Oftalmologista e Diretor da Gran Clinic.