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Doença do Refluxo Gastroesofágico

A doença do refluxo gastroesofágico ou DRGE, trata-se de uma doença digestiva crônica que ocorre quando o ácido do estômago ou, ocasionalmente, a bile reflui para o esôfago. A presença de ácido irrita a mucosa do esôfago e provoca sinais e sintomas que caracterizam esta doença. Ou seja, em termos menos técnicos, significa quando o conteúdo do estômago (alimentos ou líquidos) faz o fluxo retrógrado, ou seja, do estômago para o esôfago causando diversos sintomas.

A DRGE é reconhecida como um problema de saúde pública há vários anos e é a afecção esofágica de maior prevalência estando associada a aproximadamente 75% das patologias do esôfago. É considerada também a afecção digestiva mais prevalente no ocidente: Nos EUA os sintomas do refluxo gastroesofágico atingem dois terços dos adultos, responsável por cerca de 4 a 5 milhões de consultas médicas. Cerca de 12% dos brasileiros são acometidos pela doença dentro da população geral. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, a DRGE “Trata-se de um dos problemas mais comuns relacionados ao aparelho digestivo. Estima-se que cerca de 45% da população ocidental relate a ocorrência de um episódio de refluxo por mês e que 5 a 10% destes indivíduos façam referência diária ao sintoma”.

As principais manifestações clínicas da DRGE são: pirose e regurgitação ácida. Define-se pirose como a sensação de queimação no peito (azia), às vezes se espalhando para a garganta, junto com um gosto amargo na boca. Pacientes que apresentam sintomas com freqüência mínima de duas vezes por semana, há cerca de quatro a oito semanas, devem ser considerados possíveis portadores de DRGE.

É preciso lembrar que a ausência dos sintomas típicos acima descritos não exclui o diagnóstico da DRGE, uma vez que outras manifestações relacionadas com o refluxo gastroesofágico têm sido descritas e consideradas como manifestações atípicas.

Alguns outros sintomas que podem estar relacionados à DRGE são:

  • Dor no peito sem evidências de enfermidade cardíaca – “dor torácica de origem não cardíaca”;
  • Asma
  • Tosse seca crônica,
  • Bronquite e pneumonias de repetição;
  • Dificuldade em engolir (disfagia)
  • Rouquidão ou dor de garganta;
  • Sensação de um nódulo na garganta;
  • Desgaste do esmalte dentário
  • Mal hálito
  • Aftas

Além disso, os fatores de risco para desencadearem o refluxo são:

  • Álcool;
  • Obesidade;
  • Gestação
  • Doenças do tecido conjuntivo, como esclerodermia;
  • Fumantes.

Para o tratamento da doença do refluxo gastroesofágico, recomenda-se em primeiro lugar as mudanças no estilo de vida para ajudar a tratar os seus sintomas, evitando alimentos que posteriormente causarão problemas. Pois, a partir das medidas educativas associadas aos medicamentos, os resultados poderão ser melhores. É recomendado que as pessoas que sofrem de DRGE evitem grandes volumes de comida nas refeições e se deitem nas primeiras duas horas seguintes. Também ajudam no controle dos sintomas, algumas medidas, como: dieta fracionada, boa mastigação, evitar refeições rápidas, ingerir um mínimo de líquidos durante ou logo após as refeições, entre outras medidas.

No entanto, em grande parte dos casos é necessário um tratamento clínico medicamentoso nos quais são recomendados medicamentos que diminuam o grau de acidez no estômago e aqueles que inibem a produção de ácido pelas células gástricas.

Apesar da excelente resposta ao tratamento medicamentoso, o avanço na técnica cirúrgica com a implantação da videolaparoscopia cursou com certo aumento na indicação da cirurgia para tratamento de pacientes portadores de DRGE devido à baixa morbidade.

Sendo assim, para melhor avaliação do quadro clínico, realização de exames complementares específicos para o diagnóstico e para em tratamento mais adequado é tão necessária quanto importante a avaliação de um médico especialista na área.